Vou falar uma coisa que pode até soar preconceituosa em um primeiro momento, mas garanto que esta declaração não tem nada a ver com qualquer diferenciação social, racial, espacial, intelectual ou genital. Trata-se de uma constatação, baseada na observação de pessoas de um mesmo grupo: o humano.
Definitivamente existem indivíduos que nunca poderiam assumir uma posição de liderança concedida, ou melhor, para os quais não se pode dar poder. Não me pergunte o porquê de isto acontecer, mas algumas pessoas, de fato, não conseguem existir da mesma forma depois de lhes ser dada alguma autoridade, seja uma nominação corporativa qualquer que denote superioridade em relação a colegas de trabalho, seja algum tipo de responsabilidade que envolva elementos de importância pouco maior que sua própria insignificância.
Certos humanos, quando em contato com a nova situação, sofrem severa mutação, transformando-se em seres híbridos, metade homens, metade porcos. O espírito suíno trata de devorar o status adquirido, o que provoca uma deformação dramática na maneira como ele enxerga e lida com situações banais do dia a dia, com todos ao seu redor e até com aquilo que não lhe diz respeito.
Esse ser já não é mais o mesmo de antes. Os discursos democráticos, quase anárquicos, de tempos atrás se transformam em manifestações caricatas de autoritarismo. Uma ode ao que existe de mais clichê sobre o tema.
Ele tenta, de todas as maneiras, preservar o poder recebido concentrando em si tudo relacionado ao seu “domínio”. Como se o compartilhamento de idéias, o diálogo, a aceitação de sugestões e o reconhecimento das próprias falhas pudessem, de alguma maneira, tirar o prestígio que ele pensa ter. Talvez seja o medo de evidenciar a sua falta de brilho. Medo de se deixar ofuscar pelos verdadeiramente talentosos. De que alguém, enfim, descubra que errou ao dar-lhe poder. Não preciso dizer que tal comportamento só agrava sua situação.
O porco (animal) tem por hábito chafurdar na sujeira e eliminar um cheiro forte pelas glândulas do corpo. Ele não fornece leite, couro nem lã. Não há, então, nenhuma outra razão para criá-lo exceto por sua carne.
Podemos usar a mesma lógica no caso do espírito de porco descrito mais acima: essa pessoa cruel, ranzinza, que se especializa em complicar situações ou em causar constrangimentos. Não o alimente com atenção, não tente limpá-lo com sua alma alvejada, não ilumine o caminho dele com sua luz, nem o acoberte com sua paciência. Simplesmente não colabore para a permanência dele perto de você, a não ser que seja para engoli-lo com sua autêntica superioridade.
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