quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Manifesto à liberdade poética na ortografia


Eu já adotei a filosofia da liberdade ortográfica. Com essa bagunça que está por aí, decidi me expressar da maneira que me der na telha. Chega de regra! Viva a anarquia gramatical!

Trema: Antes era obrigatório em alguns casos, depois tornou-se facultativo e por fim proibido. Agora, decidi que enfeitarei minhas palavras com trema quando quiser dar-lhes mais brilho. Quando quiser coroá-las. “Amigo”, por exemplo, vai tornar-se “amïgo” quando referido àqueles que reinam em meu coração.

Hífen: Em certos casos ele já é facultativo. Em outros, liga palavras que, juntas, formam um termo já consagrado pelo uso. Quem define essa consagração? Determino, então, que a relação não pode existir sem o respeito (“relação-respeito”), a vida tem que ter alegria (“vida-alegria”), eu não vivo mais sem ele (“eu-ele”).

Na minha classificação particular, também vou juntar aquelas palavras que julgar que precisem se aproximar, se apaixonar. Como uma mãe que coloca dois irmãos brigados abraçados para que se perdoem. Como um cupido juntando amores. Nesse caso, só pode ter poder quem tem caráter; dinheiro e solidariedade passam a ser inseparáveis; a traz junto a realização.

Acentos: Se caíram em determinadas circunstâncias, na minha gramática eles serão usados quando eu bem entender. A linguagem deve falar por si. Deve ser visual, clara, quase tocável. Eu apoio (apóio) as mudanças que não necessitem de apoio (sim, apoio) de alguém para serem entendidas. Se a pessoa para (pára) para (para mesmo) reler a cada frase, não acredito que esta forma de expressão, que é a escrita, esteja sendo usada da melhor maneira.
A ideia (idéia) da língua é comunicar, mas se causar confusão exatamente nisso, coloco aqui meu apoio à licença poética na redação.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Não dê poder aos porcos

Vou falar uma coisa que pode até soar preconceituosa em um primeiro momento, mas garanto que esta declaração não tem nada a ver com qualquer diferenciação social, racial, espacial, intelectual ou genital. Trata-se de uma constatação, baseada na observação de pessoas de um mesmo grupo: o humano.

Definitivamente existem indivíduos que nunca poderiam assumir uma posição de liderança concedida, ou melhor, para os quais não se pode dar poder. Não me pergunte o porquê de isto acontecer, mas algumas pessoas, de fato, não conseguem existir da mesma forma depois de lhes ser dada alguma autoridade, seja uma nominação corporativa qualquer que denote superioridade em relação a colegas de trabalho, seja algum tipo de responsabilidade que envolva elementos de importância pouco maior que sua própria insignificância.

Certos humanos, quando em contato com a nova situação, sofrem severa mutação, transformando-se em seres híbridos, metade homens, metade porcos. O espírito suíno trata de devorar o status adquirido, o que provoca uma deformação dramática na maneira como ele enxerga e lida com situações banais do dia a dia, com todos ao seu redor e até com aquilo que não lhe diz respeito.

Esse ser já não é mais o mesmo de antes. Os discursos democráticos, quase anárquicos, de tempos atrás se transformam em manifestações caricatas de autoritarismo. Uma ode ao que existe de mais clichê sobre o tema.

Ele tenta, de todas as maneiras, preservar o poder recebido concentrando em si tudo relacionado ao seu “domínio”. Como se o compartilhamento de idéias, o diálogo, a aceitação de sugestões e o reconhecimento das próprias falhas pudessem, de alguma maneira, tirar o prestígio que ele pensa ter. Talvez seja o medo de evidenciar a sua falta de brilho. Medo de se deixar ofuscar pelos verdadeiramente talentosos. De que alguém, enfim, descubra que errou ao dar-lhe poder. Não preciso dizer que tal comportamento só agrava sua situação.

O porco (animal) tem por hábito chafurdar na sujeira e eliminar um cheiro forte pelas glândulas do corpo. Ele não fornece leite, couro nem lã. Não há, então, nenhuma outra razão para criá-lo exceto por sua carne.

Podemos usar a mesma lógica no caso do espírito de porco descrito mais acima: essa pessoa cruel, ranzinza, que se especializa em complicar situações ou em causar constrangimentos. Não o alimente com atenção, não tente limpá-lo com sua alma alvejada, não ilumine o caminho dele com sua luz, nem o acoberte com sua paciência. Simplesmente não colabore para a permanência dele perto de você, a não ser que seja para engoli-lo com sua autêntica superioridade.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O colorido azul de Quebec


Amei o Canadá, mas Quebec est mon pays. Je me souviendrai toujours!

Cartão-postal uma ova!

Transformar um outdoor luminoso em cartão-postal de um dos destinos mais visitados do mundo (e não é nos Estados Unidos). Isso é que é uma ótima estratégia de marketing.

La vie en bleu

Junto com as ondas, o mar de Nice, na França, trazia o azul das águas para dentro de mim. Em poucos minutos, éramos todos azuis: o mar, o céu e eu. Depois desse momento, descobri que a paz definitivamente não é branca.