quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Coluna sobre Vancouver Island


http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Viagem/Noticia/Vancouver_Island.aspx?id=54734

Uma constatação

O fundo do poço não é solitário nem escuro. Ele é barulhento. Os pensamentos gritam e ecoam nas paredes rochosas, mexendo em sentimentos que já não querem ser dominados pela razão. Bom... cada um tem o seu.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

10 anos de CAT


Mário Quintana diz que “o que faz as coisas pararem no tempo é a saudade”. Se for assim, que bom que a nossa é tanta que nos faz voltar dez anos ao passado para o momento em que todas nós nos encontramos pela primeira vez. Formamos uma amizade que, segundo o mesmo Quintana, “é uma espécie de amor que nunca morre.” Que sorte, então, que temos umas às outras!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Redescobrindo o Evangelho

E lá vai Jesus e sua Madonna, no que podemos chamar de uma reinterpretação das Bodas de Caná. Nos tempos em que figuras religiosas se transformam em adereços pop — afinal, até o papa já era pop — que símbolo maior dessa cultura do que uma Madonna vestida de Pombagira com um Jesus brasileiro que, em vez de fazer água virar vinho, transforma seus quinze minutos de fama em muito dinheiro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Para aquela que carrega no coração toda a comida que come

Eu tava devendo um depoimento para essa minha amiga há muito tempo. E, assim, com um “oi” matinal dela, me inspirei:


Faculdade de jornalismo, sala lotada, o calor do verão e o cansaço do dia faziam daquela aula uma piada. Olhei para o lado, de cabelo enrolado estava a minha salvação. A peguei pela mão e, sem uma formal apresentação, nossos olhares se encontraram e o laço foi criado. Em direção ao bar, com a boca seca pela cerveja, cinco minutos foram suficientes para nascer uma amizade. Com a torcida a favor, o tempo passou e nossa relação só se fortificou. Cada dia mais querida, essa é uma menina que nunca pode faltar em um grupo de amigas. Sincera, companheira, linda, divertida, sabe o que quer e o que não quer da vida. Mudou de casa, de emprego, de cabeleireiro, mas continuou a mesma irmã de sorriso gigante, humor contagiante que a cada aparição aumenta ainda mais minha admiração. Li, você é parte da minha vida. E por isso nunca se esqueça que, quando a solidão se apresenta, nada como uma amiga enlouquecida para te devolver para a terapia. Te adoro!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Só porque é triste o fim


Quanto te vi dançando, como se a festa fosse para você, vi que era o fim. E quando me olhei, enxerguei as mentiras que contava a mim mesma para manter uma amizade que, na verdade, nunca existiu. Foi da boca de outras pessoas que veio a constatação. Você ficou calada. Mas não com as palavras presas na língua, como que querendo sair sem coragem. Elas nem chegaram a serem formadas, pensadas. Sequer brotaram em sua alma, entorpecida pela vaidade que aparecia refletida nos olhos das pessoas que te cercam. Pois este espelho aqui se quebrou. Talvez você demore a notar, talvez nunca perceba. Os cacos, eu levo comigo.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Fefafe


Eu caso contente, papel passado, presente
Desembrulhado, vestido, eu volto logo me espera
Não brigue nunca comigo, eu quero ver nossos filhos
O professor me ensinou, fazer uma carta de amor
(E.C.T - Nando Reis)

Amizade

Uma vez escrevi este depoimento para uma grande amiga e ontem tive a oportunidade de reviver todos os sentimentos que me fizeram fazer essa declaração.

Eu acredito em encontro de almas. Quando pessoas tão diferentes, por alguma razão inexplicável, se atraem. Quando a amizade independe de religião, cultura, criação e crenças, pois ultrapassa a razão e a noção de certo e errado. Isso já aconteceu comigo. Se existe reencarnação, definitivamente estivemos juntos em vidas passadas. Se existe energia, certamente dividimos a mesma. Se existe vida eterna, nosso amor passará a barreira da morte. Mas se não existe nada disso, fico feliz só de saber que na minha única vida eu tive a sorte de encontrar você.

Coluna sobre Monte Verde

http://www.guiadasemana.com.br/Sao_Paulo/Viagem/Noticia/Nas_alturas_.aspx?id=53586

sexta-feira, 6 de março de 2009

Quando um beijo pode ser uma ofensa

Uma vez, eu briguei com um colega de trabalho. O motivo foi estúpido e a discussão mais ainda, mas o fato é que, depois disso, nossa relação não foi mais a mesma. Nunca houve pedidos de desculpas nem retratações, e o tempo foi passando, varrendo para os cantos toda a imundice dita naquele dia. E essa sujeira ficou ali, acumulada em montinhos, descansando no assoalho do escritório, pronta para, a qualquer pisada mais forte ou sopro de voz mais alterada, levantar vôo e rodopiar pelo ambiente novamente.

Com o decorrer dos meses, a civilidade nos obrigou a fingirmos que esquecemos o que aconteceu. Conversas sem-graças, troca de olhares incômodas, e a sensação era a de que éramos dois estranhos, obrigados a conviver um com o outro.
Foi aí que uma rotina se estabeleceu. Todos os dias, ele vinha e me cumprimentava com um beijo no rosto. Por mais acostumada que eu estivesse com esse tipo de saudação, cada vez que ele fazia isso, sentia-me agredida com aquela proximidade. Foi aí que percebi que um beijo pode ser tão incômodo quanto uma ofensa.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Eventos que você precisa se preparar para NÃO ir, seja lá quem você for

Show dos Backstreet Boys no Brasil – Um tem passe livre na rehab, outro virou evangélico, um terceiro namorou a Paris Hilton, participou de um reality show fracassado com os irmãos (também fracassados) e voltou ao anonimato, os outros dois membros da banda eu nem sei, de tão esquecidos no tempo que estão. Enfim, no dia 7 de março eles farão uma apresentação no Brasil. Como eu sou da geração New Kids On The Block, por lealdade, não vou ao show, mas se você não pode contar com essa desculpa, aí vão outras:

  • No dia 7 de março de 1999 morreu Stanley Kubrick. Crie um evento de celebração do cineasta e convide seus amigos para assistirem algumas das suas grandes produções, como Laranja Mecânica e O Iluminado.
  • No mesmo dia, em 1984, foi descoberto o cometa Russell 4. Aproveite a data para pesquisar sobre o assunto.
  • Já em 1876, Alexander Graham Bell recebeu a patente pela invenção do telefone. Que tal passar o dia tentando criar sua própria invenção?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Eventos que, se você é homem, precisa se preparar para NÃO ir


Segundo filme da série Sex and the City – as filmagens devem acontecer ainda este ano, para ser lançado em 2010. A não ser que você seja gay, finja uma gripe forte para não ter que acompanhar a namorada à sessão. Nem o fato de ser protagonizado por atrizes que, apesar da idade, ainda possam ser gostosas justificaria a ida ao cinema, pois, se o primeiro filme já contou com quase três horas de muita conversa de mulherzinha e plumagem explícita, agora o papo deve gerar em torno de menopausa, perda de pêlos pubianos e odores nas partes íntimas. Praticamente uma conversa entre Dercy Gonçalves, Sue Johanson (aquela senhora de mais de 70 anos que dá conselhos sexuais na TV) e Clodovil Hernandes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Desabafo de um engaiolado


Este texto foi escrito quando eu era uma vestibulanda. Um desabafo exagerado, ingênuo, imaturo e, por isso mesmo, engraçado de ser lido quase dez anos depois. Fica aqui como homenagem àqueles que acabaram de ser aprovados nos exames deste ano:

Quem disse que nós, homens, somos livres? Tão animais quanto qualquer outro, estamos predestinados a uma vida de atividades e rotinas das quais não podemos fugir. Com um porém, a nossa gaiola espiritual e física quem coloca somos nós mesmos, o que, não querendo rejeitar a minha raça, às vezes me obriga a acreditar que, na verdade, nós somos os mais burros dos animais, e não os únicos “comprovadamente” inteligentes, como acredita a ciência.

Talvez seja exatamente pelo fato de sermos burros que nos obrigamos a horas maçantes de exercícios mentais praticados à exaustão, executados diariamente em rotinas estressantes e desumanas de estudo, que tem como finalidade alcançar a superioridade intelectual e quebrar os limites do corpo e da mente, assimilando tudo aquilo que nos é passado como sendo primordial para a vida, sem ao menos sabermos por que o são.

Traçamos planos e estratégias de estudo comparados a uma concentração de guerrilheiros à beira de um combate. Guerreamos diariamente contra nós mesmos, contra nossas forças, contra nossa saúde, nossa paciência, nossa juventude. Tudo isso para quê?

Devoramos tudo o que nos dizem que devemos. Somos convencidos, dia a dia, de que temos que seguir certas regras — que ninguém sabe de onde surgiram — para podermos fazer parte da sociedade, sermos cidadãos. Sociedade essa de competição e critérios de inteligência oblíquos e mal-avaliados, que acabam limitando a capacidade humana de raciocínio em vez de estimulá-la.

Hoje em dia, quem decora mais coisa, acaba indo melhor em provas escolares, concursos públicos e provas de aprovação em cursos superiores. Somos transformados em máquinas programadas para engolir teorias prontas, que não estimulam o desenvolvimento intelectual. Isso nada mais é que a mais eficaz maneira de manipulação do ser humano.

Vestibular. Existe raça mais primitiva que o homem, capaz de obrigar todos os seus descendentes, filhos, a passar por tão cruel provação, que só tem como finalidade a padronização do povo? Questões subjetivas de caráter eliminatório têm o poder de nos classificar como aptos ou não a nos tornarmos verdadeiros profissionais, que muitas vezes ainda nem sabemos que profissional seria esse.

Qual é o critério de avaliação de uma prova que faz com que, em um período de um ano, um jovem de 17 anos — que não tem nem um quarto de sua vida formada, da qual dois terços pertenceram à infância, e que acabou de passar pela conturbada fase da adolescência — se submeta a horas de estudos diários, mal-alimentados e mal-dormidos, para, no fim, passar quatro horas sentado, respondendo a perguntas de respostas decoradas, que estão distantes da realidade educacional brasileira? Sem contar com a pressão de seus familiares e de si próprio, que, por causa de toda uma criação bitolada e limitada, acreditam ser essa a única maneira de ser alguém no futuro. Ainda têm que conviver com o nervosismo de saber que esse único dia decidirá o lugar que ele ocupará na sociedade pelo resto de sua existência. Para que tudo isso? Para depois fazer com seus filhos tudo o que fizeram com você e morrer?

Falta de entretenimento e de informação

Olha os destaques na editoria de entretenimento da globo.com. Duas chamadas sobre calcinhas à mostra no carnaval. Engraçado, achei que a fase de algum rapaz considerar ver calcinha de mulher um ótimo entretenimento só ia até os 12 anos de idade. Além disso, já foi possível ver muito mais do que as roupas íntimas destas duas senhoritas em capas de revistas masculinas. Durante o carnaval, então... Pelo andar dos carros alegóricos, teremos manchetes como essas por pelo menos mais um mês. É, e eu que pensava já estar na era da notícia com furo. Ou seria do furo na notícia? Haja falta de informação!


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tortura de playboy é falta de espelho

A última grande polêmica do Big Brother Brasil 9 — sim, vou falar de BBB. Não finja que não sabe do que se trata — foi colocar três marmanjos para ficarem dois dias trancafiados em uma sala branca, de dois metros quadrados, com cama, comida, chocolate, banheiro e ar-condicionado. O que muita gente considerou tortura e resultou na desistência de um dos confinados. “Coitado. Imagina ficar preso assim? Quem agüenta?”, me perguntei. Foi quando ouvi a resposta: “Na cadeia, 30 caras dividem uma cela com metade desse tamanho, sem banheiro, sem comida, em um calor de 40 graus, onde um tem que dormir em pé para o outro ficar sentado. E ele não consegue passar um dia em um quarto de luxo para ganhar R$ 1 milhão? Esse moleque vai ter que tomar cuidado agora. Vão pegar ele de facada na rua!”. Nada como colocar tudo sob perspectiva.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Drogas, blah!


Enquanto o via ir embora, ao lado, na TV, a cena parecia se repetir. A aversão por novelas se transforma em uma relação de cumplicidade, como duas comadres a consolarem uma à outra. Aos poucos, as feridas, ainda abertas, vão ficando como que anestesiadas e já não doem mais. Dia a dia, os ruídos do televisor se tornam cada vez mais altos e não se pode mais ouvir os próprios sentimentos. Os pensamentos são sufocados pelas histórias, que, sedutoramente, embriagam a telespectadora. Os compromissos fora do sofá são desmarcados e os pés ganham amarras que a impedem de se mover. O companheirismo de tempos atrás torna-se dependência, um vício.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Manchete do dia

Aprovação pessoal recorde de Lula chega a 84%, diz pesquisa. (G1 - 3/2/2009) - A aprovação pessoal é 84%, e a pública?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Manifesto à liberdade poética na ortografia


Eu já adotei a filosofia da liberdade ortográfica. Com essa bagunça que está por aí, decidi me expressar da maneira que me der na telha. Chega de regra! Viva a anarquia gramatical!

Trema: Antes era obrigatório em alguns casos, depois tornou-se facultativo e por fim proibido. Agora, decidi que enfeitarei minhas palavras com trema quando quiser dar-lhes mais brilho. Quando quiser coroá-las. “Amigo”, por exemplo, vai tornar-se “amïgo” quando referido àqueles que reinam em meu coração.

Hífen: Em certos casos ele já é facultativo. Em outros, liga palavras que, juntas, formam um termo já consagrado pelo uso. Quem define essa consagração? Determino, então, que a relação não pode existir sem o respeito (“relação-respeito”), a vida tem que ter alegria (“vida-alegria”), eu não vivo mais sem ele (“eu-ele”).

Na minha classificação particular, também vou juntar aquelas palavras que julgar que precisem se aproximar, se apaixonar. Como uma mãe que coloca dois irmãos brigados abraçados para que se perdoem. Como um cupido juntando amores. Nesse caso, só pode ter poder quem tem caráter; dinheiro e solidariedade passam a ser inseparáveis; a traz junto a realização.

Acentos: Se caíram em determinadas circunstâncias, na minha gramática eles serão usados quando eu bem entender. A linguagem deve falar por si. Deve ser visual, clara, quase tocável. Eu apoio (apóio) as mudanças que não necessitem de apoio (sim, apoio) de alguém para serem entendidas. Se a pessoa para (pára) para (para mesmo) reler a cada frase, não acredito que esta forma de expressão, que é a escrita, esteja sendo usada da melhor maneira.
A ideia (idéia) da língua é comunicar, mas se causar confusão exatamente nisso, coloco aqui meu apoio à licença poética na redação.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Não dê poder aos porcos

Vou falar uma coisa que pode até soar preconceituosa em um primeiro momento, mas garanto que esta declaração não tem nada a ver com qualquer diferenciação social, racial, espacial, intelectual ou genital. Trata-se de uma constatação, baseada na observação de pessoas de um mesmo grupo: o humano.

Definitivamente existem indivíduos que nunca poderiam assumir uma posição de liderança concedida, ou melhor, para os quais não se pode dar poder. Não me pergunte o porquê de isto acontecer, mas algumas pessoas, de fato, não conseguem existir da mesma forma depois de lhes ser dada alguma autoridade, seja uma nominação corporativa qualquer que denote superioridade em relação a colegas de trabalho, seja algum tipo de responsabilidade que envolva elementos de importância pouco maior que sua própria insignificância.

Certos humanos, quando em contato com a nova situação, sofrem severa mutação, transformando-se em seres híbridos, metade homens, metade porcos. O espírito suíno trata de devorar o status adquirido, o que provoca uma deformação dramática na maneira como ele enxerga e lida com situações banais do dia a dia, com todos ao seu redor e até com aquilo que não lhe diz respeito.

Esse ser já não é mais o mesmo de antes. Os discursos democráticos, quase anárquicos, de tempos atrás se transformam em manifestações caricatas de autoritarismo. Uma ode ao que existe de mais clichê sobre o tema.

Ele tenta, de todas as maneiras, preservar o poder recebido concentrando em si tudo relacionado ao seu “domínio”. Como se o compartilhamento de idéias, o diálogo, a aceitação de sugestões e o reconhecimento das próprias falhas pudessem, de alguma maneira, tirar o prestígio que ele pensa ter. Talvez seja o medo de evidenciar a sua falta de brilho. Medo de se deixar ofuscar pelos verdadeiramente talentosos. De que alguém, enfim, descubra que errou ao dar-lhe poder. Não preciso dizer que tal comportamento só agrava sua situação.

O porco (animal) tem por hábito chafurdar na sujeira e eliminar um cheiro forte pelas glândulas do corpo. Ele não fornece leite, couro nem lã. Não há, então, nenhuma outra razão para criá-lo exceto por sua carne.

Podemos usar a mesma lógica no caso do espírito de porco descrito mais acima: essa pessoa cruel, ranzinza, que se especializa em complicar situações ou em causar constrangimentos. Não o alimente com atenção, não tente limpá-lo com sua alma alvejada, não ilumine o caminho dele com sua luz, nem o acoberte com sua paciência. Simplesmente não colabore para a permanência dele perto de você, a não ser que seja para engoli-lo com sua autêntica superioridade.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O colorido azul de Quebec


Amei o Canadá, mas Quebec est mon pays. Je me souviendrai toujours!

Cartão-postal uma ova!

Transformar um outdoor luminoso em cartão-postal de um dos destinos mais visitados do mundo (e não é nos Estados Unidos). Isso é que é uma ótima estratégia de marketing.

La vie en bleu

Junto com as ondas, o mar de Nice, na França, trazia o azul das águas para dentro de mim. Em poucos minutos, éramos todos azuis: o mar, o céu e eu. Depois desse momento, descobri que a paz definitivamente não é branca.